quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

I'm who I'm no matter what...

«Só uma palavrinha, Sôra» - disse ele afastando-se da lareira a coxear devido à dor. «- Só uma palavrinha. Não me admiro que tudo o que estiveste a dizer seja muito certo. Como sou um sujeito que sempre gostou de saber o pior e, depois, fazer cara alegre, não nego nenhuma das tuas afirmações. Mas, mesmo assim, tenho mais uma coisa a dizer. Suponhamos que sonhámos ou que inventámos essas coisas todas , as árvores e a erva, o sol e a lua, as estrelas e até o próprio Aslan. Imaginemos que sim. Nesse caso, tudo o que posso dizer é que as coisas inventadas parecem muito mais importantes que as reais. Suponhamos que este poço negro a que chamas o teu reino é o único mundo. Bem, ele não me parece nada de especial. E, pensando bem, é uma coisa engraçada. Talvez tenhas razão e não passemos de criancinhas a inventarem um jogo. mas quatro crianças a jogar podem criar um mundo de brinquedo que mete num chinelo o teu mundo verdadeiro. É por isso que vou ficar do lado do mundo a fingir. Tomo o partido de Aslan, mesmo que Aslan não exista. Vou continuar a viver como Narniano, mesmo que Nárnia não exista. Por isso, os meus agradecimentos pelo jantar, mas, se estes dois cavalheiros e a jovem senhora estiverem prontos, vamos deixar a tua corte imediatamente e meter-nos a caminho pelas trevas, nem que passemos a vida à procura do mundo de cima. Não é que eu ache que as nossas vidas vão ser muito longas, mas não temos muito a perder, se o mundo é um lugar assim tão triste como dizes.»



Go Lamacambúzio!

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